terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

4 vidas.

É escuro, apertado e não para de sacudir. Eu agradeço por não ser claustrofóbico.
Meu nome é Mattias Finacci, e estou em um porta-malas de um carro, muito provavelmente meu destino seja o mesmo de Samantha. Eu podia ouvi-la gritar antes dos dois tiros. Não tenho notícias de Lucas há 2 dias, provavelmente o tenham pego e o que me consola é que Mariano está a salvo no hospital e talvez ele escreva sobre hoje. Minha morte, a de Sam e Luc não terão sido em vão como muitas outras.
Todas as metrópoles estão em guerra, e não é diferente em Curitiba. As ruas estão tomadas por gangues, e ninguém mais sai a noite. Todas se armaram. São geralmente grupos pequenos com um ou dois lideres, a maioria de escolas ou cursos de faculdade. O caos mesmo acontece quando elas se unem, nem a polícia segura. Polícia que na sua maioria é formada por membros de gangues.
Nós quatro não fazíamos parte de nenhuma, a não ser a dos nerds, mas essa não era uma gangue propriamente dita, éramos nós apenas. Eu e Sam fazíamos Letras e Mariano e Luc filosofia, em uma universidade publica.
Levávamos uma vida normal, estudos, cinema e tardes em casa fazendo nada. Morávamos perto e pegávamos o mesmo ônibus, e como estudávamos pela manha não corríamos perigo. As gangues agiam pela noite. Foi numa dessas voltas para casa que começaram nossos problemas.
As gangues tinham um método de marcar território, a pichação. Não é como antigamente, a escrita é bem legível com o nome do autor, a gangue que pertence e geralmente uma bela e ignorante filosofada. É ai que agíamos.

Continua.